Seguro viagem de carro: o que cobre a pessoa e o que cobre o veículo

Seguro viagem e proteção do carro são dois produtos diferentes. O seguro viagem cobre a pessoa: despesas médicas, repatriação e bagagem, seja qual for o transporte. A proteção do veículo cobre o carro: colisão, roubo e danos a terceiros. No carro alugado, quem vende essa proteção é a locadora; no carro próprio, é o seu seguro auto com a assistência 24h. O nosso comparador compara seguro viagem, e não proteção de carro alugado nem seguro auto. Numa viagem de carro, você costuma precisar dos dois: um cobre o veículo, o outro cobre quem está dentro dele.

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Quem pesquisa seguro viagem para carro normalmente está juntando duas coisas que o mercado vende separadamente. De um lado, a cobertura da pessoa: médico, hospital, repatriação, bagagem. Do outro, a cobertura do veículo: batida, roubo, dano a terceiros. Não existe uma apólice única que faça as duas. E o mal-entendido custa caro nos dois sentidos: quem contrata só a proteção do carro fica sem cobertura de saúde, e quem contrata só o seguro viagem não tem nada para o veículo.

Este guia separa os dois produtos e mostra o que fazer em cada uma das duas situações reais: viajar com o seu próprio carro e alugar um carro no exterior.

Seguro viagem, seguro auto e proteção da locadora: quem cobre o quê

ProdutoO que cobreO que não cobreQuem vende
Seguro viagemAs pessoas: despesas médicas, internação, repatriação, bagagem e, conforme o plano, cancelamentoQualquer dano ao veículo, roubo do carro ou responsabilidade sobre terceirosSeguradoras de viagem, comparadas no nosso comparador de seguro viagem
Seguro auto (carro próprio)O veículo: colisão, roubo, incêndio, danos a terceiros, mais a assistência 24hAtendimento médico e repatriação dos ocupantes fora do que a apólice previrA sua seguradora de automóvel, no Brasil
Proteção da locadora (carro alugado)Limita a sua responsabilidade sobre danos ao veículo alugado, conforme o produto contratadoDespesas médicas, repatriação, bagagem pessoalA própria locadora, no balcão ou na reserva

A leitura da tabela cabe em uma frase: o seguro viagem segue o viajante, a proteção do veículo segue o carro. Se você trocar de meio de transporte no meio do roteiro, o seguro viagem continua valendo. Se você trocar de passageiro, a proteção do carro continua valendo, mas o seguro viagem daquela pessoa, não.

Se a distinção entre coberturas ainda parece nebulosa, vale começar por o que é seguro viagem, que detalha garantia por garantia o que uma apólice de viagem realmente paga.

Situação 1: viajar com o seu próprio carro

É o caso do road trip pelo litoral, da estrada até a serra ou da travessia para a Argentina, o Chile e o Uruguai. Aqui você já tem, em princípio, a proteção do veículo. Faltam três verificações e uma contratação.

Confirme a área de cobertura da sua apólice de auto. Muitas apólices brasileiras valem só em território nacional. A cobertura fora do país costuma depender de uma extensão contratada à parte, que nos países do Mercosul cobre a responsabilidade civil exigida na entrada. Peça essa confirmação por escrito à sua seguradora antes de sair, com a lista dos países do roteiro. Não deduza pela lembrança do que o corretor falou na contratação.

Confira o raio e os limites da assistência 24h. Reboque, chaveiro, pane seca e troca de pneu costumam ter um limite de quilometragem e um número de acionamentos por vigência, e esses limites estão na sua apólice, não em um padrão de mercado. Um roteiro longo pode ultrapassar o raio contratado justamente no trecho mais isolado. Confirme os números com a sua seguradora.

Verifique as exigências do país de destino. A entrada de um veículo brasileiro em país vizinho tem regras próprias de documentação e de seguro obrigatório de responsabilidade civil. Trate isso como parte da preparação da viagem, no mesmo nível do documento do carro.

Contrate o seguro viagem para as pessoas do carro. Essa é a parte que o seguro auto não faz. Ele é emitido por viajante, com a idade de cada um, e todos os ocupantes precisam constar, inclusive crianças. Duas rotas conforme o destino:

E o ponto que a viagem de carro torna literal: o SUS para na fronteira. Numa estrada brasileira, um atendimento de urgência tem a rede pública atrás dele, e o que uma apólice nacional acrescenta é sobretudo a remoção e o atendimento longe de casa. No quilômetro seguinte à aduana de Uruguaiana, de Foz do Iguaçu ou de Chuí, essa rede deixa de existir para você: o SUS não cobre atendimento fora do território nacional, e o hospital do outro lado atende como serviço privado, cobrando de você. É a diferença mais concreta entre o trecho nacional e o trecho internacional do mesmo road trip, e ela não aparece no painel do carro.

Vale um segundo ajuste de expectativa, sobre bagagem. Num voo, a companhia aérea responde em primeiro lugar pela mala despachada e o seguro entra em complemento. Numa viagem de carro essa camada não existe: não há transportadora, não há relatório de irregularidade a abrir, e o roubo do porta-malas em um estacionamento é a perda clássica da estrada. Sobra o teto de bagagem do contrato, que nos cinco do nosso comparador vai de R$ 1,4 mil a R$ 11 mil, sempre com exigência de boletim de ocorrência local. É pouco para equipamento de viagem, e é a razão prática para não deixar nada de valor visível no carro. O detalhe da garantia está no guia seguro viagem para bagagem.

Para escolher entre planos com o mesmo destino, a lógica de priorização de garantias está em como escolher o seguro viagem.

Situação 2: alugar um carro no exterior

Aqui a divisão fica mais nítida, e é onde a confusão dá mais prejuízo.

A proteção do carro alugado é vendida pela locadora. Ela aparece na reserva ou no balcão, com siglas do tipo CDW ou LDW, e serve para limitar a sua responsabilidade sobre danos ao veículo. As condições, as exclusões e o valor da franquia são definidos pela locadora e mudam de empresa para empresa e de país para país. Leia esse contrato como um contrato de seguro, porque é o que ele é na prática: confira o que fica de fora, tipicamente vidros, pneus, teto, parte de baixo do carro e condução fora de estrada.

Sendo direto: nós não comparamos proteção de carro alugado. O nosso comparador trabalha com seguro viagem, ou seja, a cobertura das pessoas. Não comparamos CDW, LDW, nem seguro auto brasileiro. Para essa metade da sua viagem, a fonte é a própria locadora e, eventualmente, o seu cartão de crédito.

Alguns cartões premium incluem proteção para veículo alugado. É um benefício comum em cartões de gama alta, sempre com regras próprias: países onde vale, tipo de veículo excluído, duração máxima da locação e, quase sempre, a obrigação de pagar a locação com aquele cartão. Antes de recusar a proteção do balcão confiando no cartão, leia o regulamento do seu. O hub de seguro viagem de cartão de crédito reúne o que cada cartão traz para você conferir o seu caso.

E o seguro viagem continua sendo necessário. Alugar carro no exterior não muda nada na cobertura da sua saúde. Se você quebrar o braço descendo do carro, quem paga o hospital é o seguro viagem, não a locadora.

Atenção a uma leitura enganosa da responsabilidade civil. As apólices de viagem trazem valores de responsabilidade civil que impressionam, de R$ 8,6 milhões a R$ 26 milhões nos cinco contratos do nosso comparador, e é tentador concluir que uma batida está resolvida. Não está: essa é a responsabilidade civil de vida privada, a que responde pelo dano que você causa como pessoa, e o dano causado na direção de um veículo fica normalmente fora dela, justamente porque é objeto de outro contrato obrigatório. Ou seja: os milhões da apólice de viagem não pagam o carro que você amassou. Leia essa exclusão na condição geral e trate a cobertura do veículo como um assunto separado, com a locadora ou com o seguro exigido na fronteira.

Os dois se completam, não se substituem

O erro mais caro dessa pesquisa é achar que uma cobertura cobre a outra. Ela não cobre.

  • Quem sai de casa com seguro auto completo e nenhum seguro viagem está com o carro protegido e a pessoa descoberta. Uma internação no exterior é paga do bolso.
  • Quem contrata só o seguro viagem e bate o carro alugado responde pelo dano ao veículo conforme o contrato da locadora.

A pergunta prática antes de dar a partida é simples e tem duas partes: quem paga o conserto se o carro bater e quem paga o hospital se alguém do carro se machucar. As respostas vêm de contratos diferentes, e cada uma precisa ter um nome.

Em resumo

Não existe um produto único chamado seguro viagem de carro. Existe o seguro viagem, que cobre as pessoas com despesas médicas, repatriação e bagagem, e existe a proteção do veículo, que é o seu seguro auto no carro próprio ou a proteção da locadora no carro alugado. Nós comparamos a primeira, e não a segunda: para o carro alugado, a fonte é a locadora e o regulamento do seu cartão. Se a viagem é dentro do país, comece pelo seguro viagem nacional. Se atravessa a fronteira, confirme a extensão da apólice de auto e simule as pessoas do carro no comparador de seguro viagem.

Perguntas frequentes

  • Existe um seguro viagem para carro?
    Não como produto único. O que existe são duas coberturas diferentes: o seguro viagem, que cobre as pessoas dentro do carro com despesas médicas, repatriação e bagagem, e a proteção do veículo, que cobre colisão, roubo e danos a terceiros. Numa viagem de carro, as duas costumam ser necessárias, mas são contratadas separadamente e com fornecedores diferentes.
  • O seguro viagem cobre o carro em caso de acidente?
    Não, e há uma confusão específica a desfazer aqui. O seguro viagem traz uma responsabilidade civil com valores altos, de R$ 8,6 milhões a R$ 26 milhões nos cinco contratos do nosso comparador, mas ela é de vida privada: cobre o dano que você causa como pessoa, não o dano causado na direção de um veículo. Conserto, roubo e danos a terceiros no trânsito são do seguro auto, no carro próprio, ou da proteção da locadora e do seguro obrigatório exigido na fronteira, no carro alugado. Confirme essa exclusão na condição geral antes de viajar.
  • Preciso de seguro viagem numa viagem de carro dentro do Brasil?
    O seu seguro auto cuida do veículo, mas não do custo de um problema de saúde no meio da estrada, do transporte médico para outra cidade nem de uma internação longe de casa. É esse o papel de uma apólice nacional. Simule as suas datas no comparador de seguro viagem nacional e veja o que cada plano cobre para as pessoas do carro.
  • O meu seguro auto vale se eu atravessar a fronteira para a Argentina, o Chile ou o Uruguai?
    Depende da apólice, e é uma pergunta para a sua seguradora antes de sair. Muitas apólices brasileiras são limitadas ao território nacional e só cobrem o exterior com uma extensão contratada à parte, que costuma incluir a responsabilidade civil exigida nos países do Mercosul. Confirme por escrito a área de cobertura, a validade da extensão e o que ela cobre.
  • A proteção da locadora de carros é um seguro viagem?
    Não. A proteção vendida no balcão da locadora, com nomes como CDW ou LDW, limita a sua responsabilidade sobre danos ao veículo alugado. Ela não paga consulta médica, internação nem repatriação. São produtos com finalidades distintas: um protege o carro da locadora, o outro protege você.
  • Vocês comparam a proteção de carro alugado?
    Não. O nosso comparador trabalha com seguro viagem, ou seja, a cobertura das pessoas que viajam. A proteção do carro alugado é vendida pela locadora no momento da reserva ou da retirada, e nós não a comparamos. Para essa parte, leia as condições da locadora e verifique também o que o seu cartão de crédito já oferece.
  • O meu cartão de crédito cobre o carro alugado?
    Alguns cartões premium incluem proteção para veículo alugado, quase sempre com condições próprias: países onde vale, tipo de veículo, duração máxima da locação e obrigação de pagar a reserva com o cartão. Confira o regulamento do seu cartão antes de recusar a proteção da locadora, porque as regras variam de emissor para emissor.
  • Quanto custa o seguro viagem para uma viagem de carro pela América do Sul?
    No nosso comparador, o contrato de entrada para a América Latina custa R$ 105 por viajante para 7 dias. O detalhe que muda a conta de uma viagem de carro é que o seguro é por pessoa e o carro não: quatro ocupantes na mesma viagem somam quatro vezes esse valor, cerca de R$ 420, enquanto o pedágio e o combustível continuam sendo um só. O total final depende da duração e da idade de cada viajante.
  • Contrato um seguro viagem por pessoa ou um para o carro inteiro?
    Por pessoa. O seguro viagem é emitido por viajante, com os dados e a idade de cada um, porque o risco coberto é a saúde de cada passageiro. Numa viagem de carro com família ou amigos, todos os ocupantes precisam constar da apólice, inclusive as crianças.
  • A assistência 24h do meu seguro auto substitui o seguro viagem?
    Não. A assistência 24h resolve o carro parado: reboque, chaveiro, pane seca, troca de pneu, dentro de um raio e de um limite previstos na apólice. Ela não é uma cobertura de saúde. Se alguém do carro precisar de atendimento médico, internação ou remoção para outra cidade, quem responde é o seguro viagem.