Visto americano para brasileiros: as quatro etapas e o que cada uma custa

Sim, o brasileiro precisa de visto para entrar nos Estados Unidos. O passaporte do Brasil não integra o Programa de Isenção de Visto, então não existe ESTA para você. O caminho é o visto de visitante B-1/B-2 e ele tem quatro etapas na ordem: preencher o formulário DS-160, pagar a taxa MRV de 185 dólares, ir ao CASV entregar biometria e comparecer à entrevista na seção consular. As duas últimas são agendadas juntas, e o CASV vem sempre pelo menos um dia antes.

4 min de leitura

A pergunta que mais aparece nas buscas brasileiras sobre viagem aos Estados Unidos tem uma resposta curta e uma consequência longa. A resposta curta: sim, você precisa de visto. A consequência longa é que o processo tem quatro etapas encadeadas, cada uma com sua própria armadilha, e a maioria dos tropeços acontece por não saber em que ordem elas vêm.

Por que não existe ESTA para o brasileiro

O ESTA é a autorização eletrônica do Programa de Isenção de Visto. Esse programa cobre uma lista fechada de nacionalidades, e o Brasil não faz parte dela. Todo site que oferece ESTA para brasileiro está vendendo algo que não se aplica ao seu passaporte.

O que se aplica é o visto de visitante B-1/B-2, pedido presencialmente num consulado americano no Brasil, com biometria e entrevista.

As quatro etapas, na ordem

O serviço oficial de agendamento publica a sequência. Ela não é negociável.

  1. Preencher o DS-160. O formulário só existe num endereço, o site do Departamento de Estado. Ao final ele gera uma página de confirmação com um código de barras. Guarde esse número: tudo depois depende dele.
  2. Criar a conta e pagar a taxa MRV. No site de agendamento, você cria a conta, informa o número de confirmação do DS-160, escolhe onde quer receber os documentos de volta e paga a taxa. São 185 dólares para o visto de visitante.
  3. Ir ao CASV. É o Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto, onde suas impressões digitais e a sua foto são coletadas. Não é o consulado.
  4. Comparecer à entrevista consular. Aqui você fala com um oficial, e é ele quem decide.

A ordem entre 3 e 4 é uma regra, não uma sugestão. O agendamento no CASV tem de ser marcado com pelo menos um dia de antecedência em relação à entrevista. Os dois são marcados na mesma sessão do site, mas nada impede você de escolher datas que não respeitem esse intervalo, e nesse caso o dia está perdido.

Onde o processo costuma travar

O DS-160 que não bate com o cadastro

Desde 24 de junho de 2025, o site de agendamento recusa quem informa um número de confirmação de DS-160 incompleto, incorreto ou fictício, e também quem preenche dados que não coincidem exatamente com os do formulário: número do passaporte, data de nascimento, categoria do visto, nome e sobrenome. Não é um aviso, é um bloqueio. Quem trocou uma letra do sobrenome não avança.

Detalhamos o formulário campo a campo no guia do DS-160.

A taxa que caduca

A taxa MRV vale por 365 dias a partir da compra e serve para um único pedido. Se o visto for negado, uma nova taxa é devida para pedir de novo. Ela também não é transferível entre pessoas nem entre países: paga no Brasil, não vale num consulado em outro lugar. O detalhe está no guia de preços e taxas.

O CASV que não é o consulado

São dois endereços diferentes, em dias diferentes, e nem toda cidade tem os dois. Porto Alegre e Recife, por exemplo, não têm CASV mas um centro de entrega de documentos, com uma consequência prática que pega muita gente de surpresa. Está explicado no guia do CASV.

Se você já teve visto americano

Quem está renovando um visto B-1/B-2 pode não precisar de entrevista. As condições são publicadas e são cumulativas: visto anterior válido ou vencido há menos de doze meses, ter 18 anos ou mais na emissão anterior, pedir no distrito de residência, ter tido as dez impressões digitais coletadas, nunca ter tido visto negado. O guia da renovação percorre cada uma.

Se o visto for negado

A carta de recusa vem marcada, e a marcação muda tudo. 214(b) significa que você não se qualificou naquele momento: para tentar de novo é preciso nova solicitação, nova taxa e novo agendamento, apresentando o que mudou na sua situação. 221(g) significa que falta algo ou que o caso está em processamento administrativo: a carta diz o que fazer, e não há nova taxa.

Confundir as duas é caro. Muita gente paga de novo achando que precisa, quando o caso era 221(g).

O que o seguro viagem tem a ver com isso

Honestamente: nada, no processo de visto. Nenhuma etapa pede apólice, nenhum oficial consular confere a sua. Se alguém lhe disser que o seguro é obrigatório para o visto americano, está errado.

O que continua verdadeiro é o custo de um problema de saúde nos Estados Unidos, que você paga integralmente se não estiver coberto. É uma decisão de risco, não uma exigência documental, e preferimos apresentá-la assim.

Perguntas frequentes

  • Brasileiro precisa de visto para os Estados Unidos?
    Precisa. O Programa de Isenção de Visto, que dispensa o visto para turismo e negócios por até 90 dias, cobre uma lista fechada de nacionalidades, e o Brasil não está nela. O ESTA é a autorização eletrônica desse programa: quem viaja com passaporte brasileiro não é elegível e precisa do visto de visitante B-1/B-2, solicitado num consulado americano no Brasil.
  • Qual é a diferença entre B-1 e B-2?
    B-1 é o visto de negócios, para reuniões, feiras, negociações e conferências. B-2 é o de turismo, visita a familiares e tratamento médico. Na prática a maioria dos brasileiros recebe o visto combinado B-1/B-2, que cobre os dois motivos. Nenhum deles autoriza trabalhar nos Estados Unidos nem estudar em curso de longa duração: essas atividades têm categorias próprias.
  • Quanto tempo posso ficar nos Estados Unidos com o visto de visitante?
    Quem decide isso não é o visto. O visto autoriza você a pedir a entrada; a duração da estada é definida pelo oficial de imigração no momento em que você chega, e registrada na entrada. Um visto de dez anos não significa dez anos de permanência: significa dez anos durante os quais você pode pedir para entrar.
  • Preciso de seguro viagem para tirar o visto americano?
    Não. A documentação exigida pelo processo não inclui apólice de seguro, e nenhum oficial consular pede a sua. Isso não é o mesmo que dizer que viajar sem seguro é indiferente: os Estados Unidos são o destino com o custo hospitalar mais alto do mundo e você paga do próprio bolso o que não estiver coberto. É uma decisão sua, não uma exigência do consulado.
  • Posso pedir o visto em qualquer consulado do Brasil?
    Você deve pedir no distrito consular onde reside. Isso vale sobretudo para a renovação com dispensa de entrevista, em que residir no distrito é uma das condições publicadas. Cinco postos atendem o país: Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife.